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Quinta-feira, Agosto 09, 2007



As peculiaridades de uma arte espírita






A expressão “arte espírita”, ao longo do tempo, já suscitou variados e constantes debates. De nossa parte, preferimos não polemizar e consideramo-na como sendo a comunicação das idéias espíritas através dos recursos artísticos, encampando, assim, toda e qualquer manifestação criativa do espírito humano. Assim sendo, a par da conceituação dos compêndios especializados sobre “o que é ou não é” arte, preferimos ampliar ao máximo nossa compreensão sobre o vocábulo, para, assim, englobar, inclusive, as construções literárias de nosso tempo. Hoje em dia, com os recursos técnicos da informática, entramos ainda numa nova fase da arte, qual seja a da “arte cibernética”, sem nos importarmos se o produto (resultado) será ou não “consumível”, “financeiramente avaliado”, ou, em última questão, “impresso e exposto”.

A partir desta premissa, procuremos situar o tipo de arte que recebe a adjetivação espírita. Lembramos, inicialmente, que as manifestações, seja do Codificador, seja dos Espíritos Superiores, na Codificação ou na Revista Espírita – mormente no que concerne à definição da “música celeste” e da “arte espírita”, que, em suma, destacam que assim como a arte pagã foi sucedida pela cristã, esta o será, um dia, pela arte espírita, pois, segundo o espírito Alfred de Musset (Revista Espírita, Dezembro de 1860 – A arte pagã, a arte cristã, a arte espírita), “[...] o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso, e ainda inexplorado, e quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações.”

A comparação com a arte cristã é, pois, necessária e inevitável. Ocupando-nos, tão-somente, da observação das obras renascentistas, vamos ter excelentes exemplos para nossa digressão em relação à arte espírita. Onde se encontram, via de regra, as principais obras que transmitem religiosidade e fé, sob a efígie cristã? Nas igrejas, mosteiros e museus, de todo o mundo. Aqui mesmo, no Brasil, se precisarmos analisar a temática cristã na arte, teremos que, necessariamente, adentrar às principais igrejas das metrópoles, maravilhando-nos com a perfeição das formas, a riqueza dos detalhes e a consistência das cores.

Este é, primordialmente, o ponto de partida para nossa análise da profissionalização da arte. Mas, antes que dela nos ocupemos, façamos a seguinte admoestação: a que tipo de arte espírita estamos nos referindo? Isto, é claro, dentro da definição pontual de que “arte espírita é aquela que transmite idéias, preceitos, fundamentos, informações da filosofia espírita, através das suas mais diversas formas de expressão (artística), para expectadores, leitores, ou, até, consumidores”. Digo isto, porque há uma diferenciação específica no tocante ao “uso” da arte. Já explico: há arte espírita feita dentro das instituições espíritas (e para elas), como mormente se costuma considerar o trabalho (notável e oportuno) das secções de educação espírita (das variadas faixas etárias), que utilizam-se dos recursos artísticos para aprender/ensinar os postulados espíritas. É (ou não) arte espírita? Sem dúvida, porque os pressupostos básicos acham-se atendidos (utilização de recursos artísticos e transmissão de idéias espíritas).

Vamos, então, fazer um paralelo. Há, no Brasil, diversas companhias ou grupos de teatro espíritas. Vez por outra, eles visitam a sua cidade, geralmente apresentando esquetes ou peças – as mais das vezes, adaptações de livros consagrados, como os romances de Emmanuel, por exemplo. Apresentam-se, assim, nos melhores teatros das cidades, cobram ingresso e atraem multidões (entre espíritas, simpatizantes e curiosos). Fazem arte espírita? Sem dúvida, porque novamente aqui, atendem aos requisitos estabelecidos como fundamentais (vide parágrafo anterior).

Vejamos outro exemplo: a instituição espírita gostaria de comemorar seu aniversário de fundação ou o do mentor espiritual ou de um antigo trabalhador. Configura e institui um concurso literário ou um de música-tema, tendo como enfoque uma ou outra homenagem. Define-se, pois, os critérios, organiza-se o trabalho do concurso, convidam-se os críticos e julgadores, recebem-se os trabalhos, efetua-se o julgamento e realiza-se, enfim, a cerimônia de premiação dos vencedores e apresentação (ao público) dos trabalhos. É arte espírita? Evidente. Novamente são notórias as premissas daquela.

Haveriam, sem dúvida, outros exemplos, tão ricos quanto estes. Mas, fiquemos por aqui.

No primeiro caso, quase sempre, a tônica é a do amadorismo. São estudiosos, interessados, alguns até expoentes da arte, em uma ou outra “modalidade”, filiados a este ou aquele grupo, ou, até mesmo, profissionais que militam no campo artístico, mas que emprestam voluntariamente suas horas livres a serviço da difusão da doutrina espírita, participando, numa instituição, nas áreas que são-lhe mais atrativas e propícias, como o caso da educação.

Nos dois outros, há uma maior ou menor profissionalização, na medida em que, no exemplo da peça teatral, o grupo ou companhia “vive disso”, arregimenta pessoas capazes que credenciam-se através de cursos, universidades, trabalhos e outros, passando a buscar o sustento pessoal e de sua família, através da profissão artista. No outro, o do concurso (literário ou musical), geralmente são previstos prêmios (muitos em dinheiro), ou, indiretamente, se garante a publicação editorial ou a gravação (em estúdio) e a conseqüente comercialização do(s) trabalho(s) musicais. Este atrativo, inclusive, motiva artistas profissionais (nem todos espíritas ou simpatizantes da doutrina) para criarem seus trabalhos dentro da temática pedida, e, quase sempre, com excelentes resultados.

O leitor já deve ter percebido o real divisor de águas que existe na digressão acima. Em determinadas situações, temos a arte “amadora” e, nas demais, a “profissional”. Pelo visto, vamos aplicar aqui o adágio “daí a César o que é de César” para admitir que a “profissionalização” da arte espírita obedece aos parâmetros de sua configuração, em termos de objetivos e alcance. Qual o resultado que queremos? A que público pretendemos cativar? Com que “espécies” de propostas artísticas pretendemos “competir” no mundo social? Qual o produto que pretendemos colocar no mercado?

Penso, efetivamente, que uma configuração de arte não precisa, necessariamente, anular a outra. Entendo que há espaço, lugar, e até “mercado” para ambas. Há, inclusive, um comercial que vende “assinatura de jornal” que oferece como “brinde” um compêndio e um cd sobre a música popular brasileira, em que o fundo musical aponta para “aqueles que têm fino gosto e apurada percepção musical” (os que gostam da “boa” música), e os que ainda se comprazem com “coisas” como o “bonde do tigrão”. Há mercado para todos, ou, como costuma-se dizer nas plenárias espíritas, a atração e o interesse por isto ou aquilo é direcionado pelo padrão evolutivo-espiritual de cada ser.

Devemos, então, continuar presenciando apresentações e construções artísticas ainda majoritariamente amadoras na execução, embora possamos estar diante de virtuoses ou grandes valores expoentes das artes. O diferencial, em nosso parecer, está na “estrutura” da apresentação/veiculação e no público que se almeja alcançar.

Fazendo um paralelo com outra área em que militamos – a educação espírita infanto-juvenil – costumamos apresentar o mesmo quadro comparativo: há as instituições que “aceitam” o trabalho, mas nele não investem “um centavo”, nem dão o apoio logístico e moral necessário para a melhoria da atividade, e há as que procuram “colocar cada macaco no seu galho”, credenciando para a tarefa os “especialistas”, que não precisam ser (ou nem sempre estão disponíveis) os pedagogos e professores das escolas e universidades públicas e privadas, mas são aqueles que demonstram um maior “feeling” para a proposta, os quais, quase sempre, mesmo não graduados, participam de cursos de formação/especialização/reciclagem, espíritas e leigos, para um melhor desempenho de seus misteres.

Aqui, como lá, o limite se estabelece entre “profissionais” e “amadores”. E o resultado, caros amigos, será proporcional ao conjunto de caracteres que dispensarmos em seu projeto e execução. Em suma, se queremos uma arte de qualidade, necessariamente teremos que destinar aos executores um quantum de recursos e condições que possam desembocar em resultados positivos. É a hora, efetivamente, de se deixar de lado o proselitismo religioso e o espiritismo para dentro das nossas paredes e muros, para apresentar à sociedade a proposta espírita de visão do mundo, das relações interpessoais e das ilações entre o plano dos vivos e o dos mortos. Há, assim, – mesmo mobilizando recursos financeiros e “premiando” financeiramente os profissionais da arte (ou da educação) com salários compatíveis aos de mercado, para propostas mais amplas, – que considerar que o “daí de graça o que de graça recebestes” não inviabiliza a permissão de que aqueles que vivem da profissão arte ou da profissão educação (pois há várias escolas “espíritas”, particulares, regiamente pagas, de norte a sul do país), possam ser aquinhoados de acordo com o “suor de seus rostos”. Honestamente.

Esta é a nova (?) proposta da arte espírita para o nosso tempo.

E, mais uma vez, se não nos “instruirmos” para tal, e nos “amarmos” conforme a dicção espírita, poderemos, uma vez mais, enquanto homens, estarmos passando à frente o archote do conhecimento espiritual, para que outra concepção filosófica ou revelação divina, possa conduzir a contento a Humanidade. Porque nós, uma vez mais, deixamos de lado “o trabalho que seria nosso”.

Viva a arte espírita!

- Marcelo Henrique (SC)



Comentario:
Por Sika - 9:02 PM
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Para uma Auto-Reflexão
Leda Matayoshi







Sobe o "O Espiritismo na arte, evolução do espírito, revolução no mercado"
Tudo no Universo acontece na hora certa. "Não cai uma folha de uma árvore sem a vontade de Deus...". É neste sentido que vemos a pertinência de se fazer tal discussão – em princípio um tanto controvertida – em torno da arte com temática espírita, suas ações e funções. É o momento certo de se trazer à baila tal abordagem pois uma das tônicas da atualidade é a questão da profissionalização do terceiro setor tendo em vistas melhorar a qualidade da prestação de serviços ao social atendido. Apenas para posicionamento das idéias a serem expostas, o chamado terceiro setor é formado por pessoas de outros setores, tanto do público, ou primeiro setor, quanto do privado, o segundo setor, que se organizam em sociedades civis, sem fins lucrativos, buscando atender aos segmentos sociais insuficientemente atendidos em suas necessidades básicas.

A profissionalização do terceiro setor surgiu de uma necessidade de se melhorar a sua comunicação junto aos seus públicos internos e externos: população em geral, doadores, apoiadores e outras organizações afins. Estamos assistindo à formação de um mercado formado por instituições de apoio ao social e que se torna cada vez mais competitivo portanto exigindo mais qualidade e competência nas ações. A profissionalização surge da necessidade de se sair do estágio "emocional", personalista, para o racional, coletivo ou o mercado. As organizações já não podem mais agir como se só elas e sua produção existissem deixando de olhar o macroambiente ditando as tendências de avanço. Boa ação é fator emocional. Disciplina é fator racional. Assim como o vôo sublime para a eternidade demanda o equilíbrio das "asas da razão e do sentimento" enunciado por Emmanuel em sua obra Roteiro, se ambas, boa ação e disciplina ocorrerem de forma concomitante teremos atingido o ideal cristão de fraternidade eficiente.

Um centro espírita não está fora dessa tendência profissionalizante que certamente também veio para conferir um caráter distintivo de mais uma etapa dentro do Espiritismo enquanto vanguarda revolucionária. Muitos espíritas já temem o termo profissionalização – conceito moderno estreitamente vinculado à moeda – com receio de estarem "mercantilizando o sagrado" como se o Creador do Universo tivesse outorgado tal poder às suas creaturas... Sim, porque é preciso ser muito poderoso para comercializar o intangível ou o ainda sequer compreendido!

É realmente um momento de parada de consciência, de repensar valores e princípios muitas vezes herdados ou interpretados sem muito juízo crítico e que se adequaram a determinado momento histórico tornando-se anacrônicos nos dias de hoje. Neste ponto, vale discutir a cultura espírita e seu grande conflito quanto ao uso do dinheiro. Herculano Pires, em sua obra O Centro Espírita, da Editora Lake, na página XXII, denuncia: "Associações espíritas, promissoramente organizadas, logo se transformam em grupos de rezadores pedinchões. O carimbo da Igreja marcou fundo a nossa mentalidade em penúria..." Parece que marcou-nos profundamente o fato de, um dia, poderes temporais terem cunhado no vil metal a possibilidade de virmos a cair em tentação e perder o céu eterno. Não estavam totalmente errados, previam a falta de escrúpulos inerente ao ser humano em baixo estágio de evolução e habitante de um planeta de expiação e provas. Todavia, é preciso antes entender que se somos filhos diretos da Creação, inteligentes e livres, é pouco provável que sejamos manipulados pelo dinheiro, algo que decididamente não pensa portanto jamais poderá comandar no sentido inteligente dessa ação. Precisamos repensar quem são o sujeito e o objeto de perdição ou salvação; quem efetivamente raciocina, conhece e decide, e o quê, em verdade, é apenas um facilitador de melhores resultados em ações positivas.

Lembremos também a prática do aconselhamento de Jesus: "Vivam a vida do mundo", ou seja, o Pai concede tecnologias aos seus filhos para fazer avançar suas mentes e seus corações rumo à perfeição. Os recursos materiais configuram-se como ferramentas perfeitamente passíveis de serem utilizadas no Bem da humanidade. Ou não. Ou seja, parece que não temos confiança em nós mesmos quanto à nossa capacidade de lidar com os recursos materiais segundo as orientações do Evangelho. Somos nós, os recursos humanos, os comandantes dos recursos materiais disponibilizados para fazer crescer a humanidade e podermos cumprir muito bem esta tarefa considerando-se o fabuloso manual de instruções denominado Evangelho!

Evolução e revolução são dois fenômenos intrínsecos. O primeiro refere-se a um processo que pode ter como resultado o segundo. O processo de evoluir compreende o fator mudança sendo que esta invariavelmente provoca uma revolução em algum nível. Toda vez que um indivíduo evolui significa que mudou de estágio ou de condição e esta modificação, por estar naturalmente vinculada a algum status quo, interfere ou revoluciona o contexto anteriormente estável.

Seguindo esta linha de raciocínio, é interessante admitir que a evolução espiritual implica em alguma revolução nas dimensões em que se insere, material e espiritual. Todavia, antes de prosseguirmos, atentemos a alguns detalhes importantes às nossas reflexões sobre esses temas. Espírito é o ser inteligente da creação, destinado à evolução a despeito de sua anuência ou não. Tal é a lei. Será perfeito pois esse é o escopo do Creador.

A partir desses postulados, surgem as questões: mesmo que não se queira "correr riscos" frente à evolução espiritual, ela o é? Vai acontecer cedo ou tarde à nossa revelia? É mesmo da vontade do Creador? É importante entendermos essa meta inexorável para alcançarmos um entendimento mais claro dos instrumentos que o plano divino disponibiliza para o avançar da humanidade. Nesse sentido, a arte com temática espírita é mais um legado da espiritualidade para nos conduzir à nossa destinação de seres perfeitos. É um instrumento de sensibilização de mentes e corações predispostos à uma modificação interior. Agora, não podemos nos esquecer que a arte, com temática espírita ou não, depende de agentes para se consubstanciarem no planeta. No Plano Espiritual, de onde efetivamente vem a maior parte das obras artísticas, depois complementadas com o quinhão do encarnado, os inspiradores certamente têm suas necessidades básicas supridas pelo próprio contexto em que vivem. Sobre este assunto, esclarece-nos o querido irmão André Luiz, no capítulo I, 2ª parte, da sua obra Evolução em Dois Mundos: "...o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si..." Os inspirados do Plano Material, ou artistas encarnados, agentes do ato criativo, também precisam ser supridos pelo menos em suas necessidades básicas de sobrevivência. Além do imprescindível investimento no saber segundo o "Amai-vos e instruí-vos" preconizado pelo Espírito de Verdade (Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VI). O que fazer? Cuidar do corpo ou do Espírito ou de ambos? "...Amai, pois, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza, é desconhecer a lei de Deus..." (ESE, cap. XVII).

Talvez essa parada de consciência quanto ao uso das regras do mercado empresarial no contexto da produção artística com temática espírita seja realmente propícia. É prudente sim discutir que rumo tomar. Mas sem nos deixar levar por pontos de vista ainda temerosos, carecentes de discernimento de outras propostas evangélicas. Por exemplo, suponhamos que o Creador conceda a um dos seus agentes encarnados os dons do talento artístico e do amealhar a fortuna material. Sim , há pessoas, que mesmo sem se lembrarem de terem assumido compromissos junto ao Plano Espiritual, reencarnam com o talento de multiplicar a moeda terrena. E digamos também que este agente receie usar do segundo talento, enterra-o tentando evitar possível queda. E digamos também que o Plano Maior também lhe tivesse delegado a função de usar ambos os talentos, sem exclusão de nenhum, em benefício da humanidade e o seu próprio alavancar. O negar-se com certeza estaria abortando sabe Deus quantos projetos de progresso individual e coletivo! Atentemos mais uma vez para o Evangelho, no capítulo XVI: "...mas um dever igualmente imperioso, igualmente meritório, consiste em prevenir a miséria; nisso sobretudo está a missão das grandes fortunas, pelos trabalhos de todos os gêneros que podem fazer executar (...) o servidor que enterrou na terra o dinheiro que lhe foi confiado, não é a imagem dos avarentos entre as mãos dos quais a fortuna é improdutiva? Se, entretanto, Jesus fala principalmente das esmolas é porque naquele tempo e naquele país onde ele vivia, não se conheciam os trabalhos que as artes e a indústria criaram depois, e nos quais a fortuna pode ser empregada utilmente para o bem geral...".

Seguindo a sabedoria evangélica, por que não direcionarmos nosso pensamento para a utilidade da fortuna em termos de ação preventiva contra a decadência e não como elemento de contravenção das leis divinas? Quantas realizações em favor de um mundo melhor podem ser consolidadas por médiuns assumidamente agentes do social? Pensemos que em mãos de muitos medianeiros repousa a sublime tarefa de patrocinar, gerir projetos sociais e pessoas tendo em vistas um Brasil efetivamente Pátria do Evangelho: "Daí esmola quando isso for necessário, mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a recebe, dela não se envergonhe" (ESE, cap. XVI). Quantos empregos ou colocação de mão de obra podem ser efetivados ao invés de esperarmos pelo pior para depois prestar o devido auxílio? Parece-nos importante em nossa parada de consciência questionar também a extensão da palavra abuso ou falta de ética no uso dos talentos. Talvez pudéssemos chegar a melhor termo do que deixar de fazer conforme podemos observar na pergunta 642 de O Livro dos Espíritos: "...Bastará não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar a sua posição futura?". Resposta: "Não, é preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo mal que resulte do bem que não haja feito."

E quando falamos em revolucionar o mercado, qual é o perfil desse mercado? Quais são suas expectativas frente à arte com temática espírita? Que benefícios este mercado já reconhece nesse instrumento de renovação? Qual é o grau de aceitação da produção da arte com temática espírita? Entendemos ser importante conhecer, através de instrumentos científicos – como uma pesquisa de mercado – o que pensam os receptores dessa produção. Muitas vezes tomam-se decisões baseadas em "achismos" pessoais e nos esquecermos de conhecer o grau de satisfação de quem está do outro lado da questão. Pensar em mercado é pensar no público ou consumidor de idéias do mercado simbólico.

Mercado, em termos empresariais, é um local onde pessoas que compartilham de uma necessidade ou desejo específicos estão dispostas e habilitadas a fazer trocas que satisfaçam essas expectativas. Tanto o Espírito quanto o mercado, por suas características peculiares, são distintivos e qualificados conforme os perfis que apresentam. Assim, seria interessante buscar quantos nichos estão compondo o mercado que queremos revolucionar. Talvez com essa elucidação os artistas também tivessem a opção de escolher os segmentos que querem atuar: o contexto amador ou o profissional. Há lugar para todos e a padronização parece muito longe de dar certo pois a era da massificação, ou aceitação passiva sem opções, já ficou há muito no tempo e no espaço. As pessoas, ou os consumidores de idéias, são livres para escolher se querem cantar em um coral na casa espírita apenas por deleite, para integração no contexto ou se querem estar qualificados para apresentações profissionais. Em ambos os casos não deixará de acontecer a assessoria espiritual mas se na segunda situação o ganho se faz necessário é porque os compromissos são diferentes. No primeiro caso, os integrantes são "pacientes" em tratamento terapêutico pela música, têm um compromisso com eles próprios; no segundo, temos uma categoria de "médicos", ou seja, assumiram o compromisso de ministrar o remédio para outros, por isso precisam buscar a qualificação, precisam investir em si para oferecerem o melhor diante de uma coletividade.

Evolução do Espírito e revolução no mercado. Como dissemos anteriormente, é muito difícil perceber essas propostas separadamente. E quando são colocadas como duas vertentes em discussão, parece que estamos lidando com elementos arraigados de uma cultura. Talvez pelo fato do Espiritismo, por muito tempo, ter sido praticado no Brasil como um culto proibido, censurado e rejeitado, muitos representantes da cultura espírita, até nos dias de hoje, tendem a reproduzir esse mesmo comportamento de insulamento. Resistem às tecnologias disponibilizadas para o avanço e, consequentemente, relutam em assumir que toda melhoria no planeta implica também em investimento monetário. É próprio de um planeta material. E toda produção artística de qualidade não está fora dessa regra de mercado. Insistimos: vamos perguntar aos públicos o que gostariam de apreciar na arte com temática espírita. Quando películas do tipo Do outro lado da vida e Amor além da vida fazem grande sucesso de público e de arrecadação, devemos nos perguntar se sem aquela esmerada qualidade de produção cinematográfica teriam atraído tantas pessoas para as coisas do Espírito. Está certo que há um momento de grande busca espiritual mas imaginemos as estórias destes filmes contadas sem tais imagens magnetizadoras. É estar fora das expectativas do público que se quer atingir.

É hora dos Espíritas mais receosos entenderem que existem regras no mercado que não interferem nas questões morais mas são mecanismos reguladores de uma competitividade real. Por exemplo, em função da consolidação do conceito de Terceiro Setor, existe atualmente neste mercado a figura do profissional captador de recursos para essas organizações não lucrativas. Por convenção ética, essa figura não pode receber comissão sobre os resultados mas sim bônus, salário ou honorário. A maior favorecida é a instituição que conta com uma pessoa qualificada para buscar recursos de viabilização dos seus projetos. Considerável parte do mercado já não aceita mais a filantropia emocional; quem não aprender a "passar o chapéu" de forma profissional tem poucas chances de sobrevivência no mercado. E se os artistas espíritas pretendem uma ação evangelizadora eficiente e eficaz, é importante sair um pouco do microambiente e repensar também o macroambiente pois corre-se o risco de alcançar soluções que não mais se adequam à realidade atual. Podem servir apenas a interesses muito particulares onde o Bem da humanidade estará ignorada.

É assim que gostaríamos de deixar a nossa contribuição: discutir modernos conceitos mercadológicos perfeitamente aplicáveis tendo em vistas pensar a arte com temática espírita como ferramenta de crescimento e de revolução.



Comentario:
Por Sika - 9:00 PM
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A música terrestre
Léon Denis






A música desperta na alma impressões de arte e de beleza que são o júbilo e a recompensa dos espíritos puros, uma participação na vida divina em seus deleites e seus êxtases.

A música, melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida; por isso ela é a própria voz do mundo superior.

É necessária a beleza suprema da forma para se exprimir os esplendores da obra universal. Nem a poesia, nem a música, dissemos, suportam a mediocridade. Entretanto, apesar da carência estética dos tempos atuais, é preciso reconhecer e louvar os esforços de alguns autores que, em suas tentativas, aproximaram-se da perfeição e conseguiram realizar obras onde passa um sopro, uma radiação da soberana beleza. Através da ópera, particularmente, conseguiram agitar nas almas a fibra dos entusiasmos generosos.

Isto porque, para conceber, para produzir obras geniais, capazes de elevar as inteligências até o máximo do pensamento, até o ideal de beleza perfeita, é necessário primeiramente criar-se a si mesmo, edificar sua própria personalidade e torná-la suscetível de provar, de compreender os esplendores da vida superior e a harmonia eterna do mundo.

Que forças, que luzes, que consolações, que esperanças podemos passar às outras almas se não temos em nós próprios senão obscuridade, dúvida, incerteza e fraqueza? O que se poderia esperar de espíritos céticos, fechados a qualquer impressão elevada, surdos a quaisquer vozes, a quaisquer ecos do além? A miséria estética de nossa época explica-se pela impotência da alma contemporânea em se criar uma fé esclarecida, uma mais ampla e mais alta concepção da beleza universal.

Por conseguinte, devem-se apreciar as exceções que são produzidas e os impulsos dos raros autores que se esforçam por conduzir a opinião às regiões do ideal.

Porém, à medida que um novo ideal desperta e que os focos do espiritualismo se acendem em todos os pontos do globo, ver-se-á eclodir e desenvolver-se nas almas um reflexo mais poderoso dos esplendores da vida invisível tal como a revelam os ensinamentos de nossos amigos do espaço. E este será o sinal de uma floração de obras, o ponto de partida para uma era artística que ultrapassará em grandeza e em riqueza a obra dos séculos precedentes.

Sem dúvida o espetáculo do mundo terrestre e da vida humana, com seus contrastes violentos, oferecem-nos diversidade suficiente de quadros, de imagens, de cenas – amores e ódios, paixões e dores –, capazes de inspirar obras fortes, tais como as que o passado nos legou.

Porém o que são esses temas, por mais ricos que sejam, comparados ao imenso panorama que desvenda aos nossos olhos a revelação espírita e suas descrições da vida nos espaços? O que se tornam as peripécias de uma existência humana ao lado dos amplos horizontes do destino da alma em sua ascensão através do ciclo das idades dos mundos? E as alegrias, as provas, as quedas e os reerguimentos, a descida no abismo e as tentativas de vôo para a luz, os sacrifícios que são uma reparação, um resgate, as missões redentoras, a participação crescente na obra divina? Quem falará das poderosas harmonias do universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades? Ou, então, da lenta elaboração, da dolorosa gestação da consciência através dos estágios inferiores, da laboriosa construção de uma individualidade, de um ser moral! Quem falará da conquista da vida, sempre mais ampla, mais plena, mais serena, mais iluminada pelas irradiações do alto; a caminhada de cume em cume à procura da felicidade, do poder e do puro amor! Esses vastos assuntos encontram-se ao alcance de todos. Em todo poeta, artista, escritor, há insuspeitáveis germes de mediunidade que não pedem nada a não ser eclodir; através deles o operário do pensamento entra em comunicação com a fonte inesgotável e recebe sua parcela de revelação. Essa revelação de estética apropriada à sua natureza, a seu tipo de talento, ele tem por missão expressá-la sob formas que farão penetrar na alma das multidões uma vibração das forças divinas, uma radiação da luz eterna.

É da comunhão freqüente e consciente com o mundo dos espíritos que os gênios do futuro extrairão os elementos para suas obras. Atualmente a penetração nos segredos de sua dupla vida vem oferecer ao homem auxílio e luzes que as religiões enfraquecidas não mais poderiam lhe dar. Em todos os domínios a idéia espírita vai fecundar o pensamento que trabalha.

O canto e a música em sua íntima união podem produzir a mais alta impressão. Quando ela é sustentada por nobres palavras a harmonia musical pode elevar as almas às regiões celestes. É o que se realiza com a música religiosa, com o canto sacro.

O cântico produz uma dilatação salutar da alma, uma emissão fluídica que facilita a ação das forças invisíveis. Não há cerimônia religiosa verdadeiramente eficaz e completa sem o cântico. Quando a voz pura das crianças e dos jovens ressoa pela abóbada dos templos, desprende-se como que uma sensação de suavidade angélica.

Porém, unida a palavras malsãs, a música não é mais do que um instrumento de perversão, um veículo de torpeza que precipita a alma nas baixas sensualidades, e aí encontra-se uma das causas da corrupção dos costumes da época atual.

O fenômeno sonoro desenvolve-se de círculo em círculo, de esfera em esfera, e amplia-se até o infinito. Ele leva a alma, em suas grandes ondas, sempre mais longe, sempre mais lato, no mundo do ideal, e nela desperta sensações tão delicadas quanto profundas, que a preparam para os júbilos e os êxtases da vida superior.

O poder misterioso e soberano estende-se sobre todos os seres, sobre toda a natureza. Com efeito, a lei das vibrações harmônicas rege toda a vida universal, todas as formas de arte, todas as criações do pensamento. Ela introduz equilíbrio e ritmo em todas as coisas. Ela influi até sobre a saúde física por sua ação sobre os fluidos humanos. Sabe-se que Saul, em suas crises nervosas, chamava Davi, que através dos sons de sua harpa acalmava a irritação do monarca. Em todos os tempos, e ainda nos dias atuais, a arte musical foi aplicada à terapêutica, e com resultado. Poder-se-iam multiplicar os exemplos.

A harpa, através de seus sons eólios, dissipa nossos pesares, acalma nossas dores e embala-nos deliciosamente a alma. Nossos pais, os celtas, consideravam-na como elementos indispensável à vida intelectual.

O código de Hoël diz, com efeito: “Há três coisas inalienáveis em um homem livre: o livro, a harpa e a espada.” O maior dos bardos, Taliesin, desaparece misteriosamente, porém por longo tempo sua harpa é vista flutuando sobre as águas do lago encantado. E os ecos da floresta de Broceliande ressoam ainda, a certas horas, vibrações enfraquecidas da harpa de Merlin.

Nossos pais viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes, onde reside o talento inspirador. A harpa representava importante papel nas evocações dos recintos sagrados e nas relações dos celtas com o povo invisível.

A voz humana possui também, quando é verdadeiramente bela, entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos. Ainda melhor do que isto, ela pode expressar todos os estados de espírito, todas as sensações da alegria e da dor, desde a invocação de amor até as entonações mais trágicas do desespero. É por isso que a introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e de beleza.

* * *

Quase todos os célebres compositores gozam das faculdades mediúnicas que lhes permitem receber as inspirações do além, traduzir, sob a forma de seu próprio talento, as grandiosas concepções da eterna harmonia.

Dentre eles, os mais notáveis parecem-nos ser Beethoven, Berlioz e Wagner.

Beethoven deve ser considerado como o verdadeiro criador da sinfonia, e sua frase, por sua amplitude e beleza, representa a ação musical completa. Sob esse ponto de vista, seu espírito domina e dominará ainda por muito tempo a música moderna. Afirmam-nos que recentemente ele ditou a certo médium um hino espírita destinado às sessões de evocação e que em breve será divulgado.

Também Berlioz foi um sinfonista de grande envergadura; dentre os compositores franceses, não há outro mais difícil de ser imitado, devido a seu enorme talento e prodigiosa virtuosidade. Em sua música ardente, apaixonada, pitoresca, a intenção e a execução se combinam; ela possui o relevo e a força da região alpina, onde o autor nasceu. Exprime ora o esplendor dos cumes ora o horror dos abismos. Nela encontramos a voz das torrentes, o murmúrio da floresta, todas as harmonias da montanha em sua unidade e variedade impressionantes.

Jamais esquecerei a profunda impressão em mim produzida pela primeira audição de A Danação do Fausto. Eu não tinha mais do que 20 anos de idade, e foi para mim, graças à sinfonia, a revelação de um mundo desconhecido, deslumbrante de riquezas e de maravilhas. Berlioz foi genial demais para ser bem compreendido por seus contemporâneos; como ocorre com quase todos os inovadores, foi apenas após sua morte que o público começou a apreciar o talento lírico dele.

Quanto a Richard Wagner, sua colossal obra é inteiramente impregnada de uma espiritualidade densa e pesada, que se limita de perto com o materialismo, como todo talento alemão. Porém, às vezes, dessa massa um pouco confusa, e freqüentemente até mesmo vulgar e banal, brotam jorros musicais que alcançam os mais altos cumes.

Wagner toma bastante de seus predecessores, porém torna seu o que lhes toma, revestindo-o de vida original e pessoal.

Nele, infelizmente, o fundo é inferior à forma, e sob esse aspecto sua obra carece de equilíbrio e de precisão. Suas imagens e temas são terrestres; quando quer povoar o espaço, e ele o faz sempre através de deuses de máscaras trágicas e humanas demais, através de criaturas semi-materiais de capacete e armadas, cavalgando sobre nuvens negras à procura de sangrentas batalhas. São exceções apenas duas de suas obras: Tristão e Isolda e Parsifal, tomadas das lendas célticas e cristãs.

Sua música, no conjunto, é sensual e não mantém os espíritos nas altas regiões do sonho e da beleza. Isto porque Richard Wagner trabalhou apenas para o teatro, e na ópera, como já vimos, a música permanece presa à palavra e encontra-se aí, às vezes, uma causa de fraqueza e de inferioridade.

Nesse gênero lírico, para se produzir a mais forte impressão, é preciso que a forma e o pensamento se equilibrem, se completem e permaneçam equivalentes. A forma soberba associada a um pensamento pobre dissipa-se rapidamente e não deixa senão uma impressão indecisa, uma vaga recordação.

Entretanto, apesar de seus defeitos e de suas lacunas, a obra de Wagner tem lugar fixo dentre as grandes criações musicais. Ela nos mostra uma vez mais que a arte é de todos os tempos, de todos os países, e não tem pátria.

Porém, tanto em música como em qualquer outra coisa, a Franca revelou-se um país de equilíbrio: o gosto, a clareza, a medida são para nós as qualidades essenciais da arte.

Entre os murmúrios melodiosos, os arrulhos quase femininos da música italiana e as máscaras e possantes sonoridades da música alemã, a música francesa toma o meio e une as duas escolas opostas numa síntese feita de encanto, força e beleza.

As obras de Beethoven, Berlioz e Wagner parecem resumir a mais alta inspiração musical de nosso tempo. Porém o futuro verá surgirem outros homens mais conscientes do mundo invisível que nos circunda, mais bem dotados das faculdades mestras que permitem a comunicação com ele.

Eles dotarão a humanidade de tesouros de arte e de poesia, cujas riqueza e dimensão não poderíamos medir no momento, e que se tornarão para ela uma fonte inesgotável de júbilo, de verdade, de beleza.

O pensamento, a inteligência são portas da mesma harmonia universal que a música, e é por isso que esta, sozinha, pode exprimir o que o pensamento, a inteligência concebem de mais alto e mais sublime.

Pois a vibração sonora não é senão uma manifestação da vida universal.

É por isso que ela desperta um eco nos recônditos mais secretos da alma; ela reanima em si como que uma vaga recordação dos céus profundos onde nasceu, viveu e reviverá!

(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)


Comentario:
Por Sika - 8:56 PM
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A música no espaço
Léon Denis








“Como conclusão ao que expus a respeito da arte musical no espaço, vou tentar fazê-los compreender as sensações harmônicas experimentadas pelo espírito nas esferas onde vivemos. Em nossa última conversa falamos das correntes provocadas por seres angélicos. Resta-nos falar dos “trens de ondas” (expressão retirada do cérebro do médium, que possui algum conhecimento sobre telegrafia sem fio). Tomaremos, portanto, como termo de comparação, esse telégrafo sem fio que lhes dá uma primeira idéia desses trens de ondas harmônicas dos quais lhes falarei.

“Recentemente vocês me interrogavam a respeito da música das esferas. Eis sua explicação: forças dirigidas por vontades superiores produzem uma corrente fluídica cuja potência vibratória é considerável mas uniforme. Essas ondas vão percorrer um espaço imenso e impressionarão espíritos menos evoluídos do que aqueles que podem abordar as esferas musicais das quais lhes falamos; esses espíritos, menos evoluídos, possuem ao menos por seu perispírito a faculdade de sentir certas ondulações. Tocando esses seres, que são em grande número, as ondas, segundo sua velocidade, produzem uma vibração que se traduz sobre todos os espíritos por uma repentina iluminação. Qualquer espírito que encontre essa corrente no espaço sentirá seu perispírito colorir-se de tonalidade mais viva segundo a intensidade da corrente emitida, e através dela, sentirá uma satisfação adequada à coloração.

Como em geral esses trens ou correntes de ondas são provocados por sentimentos que emanam de seres quase angélicos ou divinos, vocês podem conceber que se pode compará-los a banhos de azul celeste apagando, tanto quanto possível, as paixões, que são ainda um resquício de matéria. Se a vontade do espírito que os percebe é suficiente, ele pode com eles se beneficiar amplamente, pois essas ondas constituem uma espécie de transmissão que pode auxiliar em sua elevação, uma vez que elas emanam das regiões divinas.

“Essas correntes giram com freqüência em torno dos mundos e purificam sua atmosfera. Quando partem de um ponto diferente, essas correntes se revestem de cores distintas que podem se confundir e determinar uma dupla sensação. Assim se explica o que lhes disseram certos espíritos, que falam que no espaço “ouvem-se liras vibrando”.

“Em geral a tonalidade permanece a mesma, sendo a palavra tonalidade tomada no sentido de cor. Para nós a cor exprime as sensações colhidas pelo pensamento. Porém muitos seres permanecem insensíveis a essas correntes devido a sua pouca evolução. Alguns há que preferem as sensações produzidas por antigas paixões carnais, e as procuram; outros, impressionados por essas correntes, pedem através da prece para penetrar em esferas onde o êxtase é mais habitual.

“Vocês sabem que no espaço os planos são diversos, porém Deus permitiu que todos os seres tivessem consciência de seus bons atos. Os prazeres experimentados não se comparam aos que vocês poderiam experimentar olhando um belo quadro ou ouvindo um trecho de música: as sensações são muito mais completas e não são absolutamente mecânicas como as de vocês. A música terrestre é resultante de choques mais ou menos violentos sobre um metal, ou da passagem de ar numa substância sonora, enquanto que a música do espaço traduz-se através de sensações cuja gama sobrepõe-se de graus coloridos! Cada cor, cada feixe colorido, tocando o perispírito, transmite-lhe impressões mais elevadas, ou menos, e puras segundo a natureza elevada do espírito que as recebe e segundo a intensidade das ondas fluídicas.

“A música terrestre não é, portanto, comparável à música do espaço. A primeira dá uma satisfação da qual sua sensibilidade nervosa tira proveito; a segunda, que é de essência divina, dá alegrias morais, sensações de bem-estar, êxtases tão profundos quanto mais puro seja o próprio receptáculo, isto é, o ser privado de envoltório carnal.”

Massenet

Comentário final


O estudo do espiritismo em suas relações com a arte encerra os mais amplos problemas do pensamento e da vida. Ele nos mostra a ascensão do ser na escala das existências e dos mundos em direção a uma concepção sempre mais ampla e mais precisa das regras de harmonia e de beleza, de acordo com as quais todas as coisas são estabelecidas no universo.

Nessa magnífica ascensão, a inteligência cresce pouco a pouco; os germes do bem e do belo nela depositados desenvolvem-se, ao mesmo tempo em que se amplia sua compreensão da lei da eterna beleza.

A alma chega a executar sua melodia pessoal sobre as mil oitavas do imenso teclado do universo; ela é invadida pela harmonia sublime que sintetiza a ação de viver e a interpreta de acordo com seu próprio talento, prova cada vez mais as felicidades que a posse do belo e do verdadeiro proporciona, felicidades que os verdadeiros artistas podem entrever desde este mundo. Assim, o caminho da vida celeste é aberto a todos, e todos podem percorrê-lo através de seus esforços e de seus méritos, chegando à posse desses bens imperecíveis que a bondade de Deus nos reserva.

A lei soberana, o objetivo supremo do universo é, portanto, o belo.

Todos os problemas do ser e do destino resumem-se em poucas palavras.

Cada vida deve ser a construção, a realização do belo, o cumprimento da lei.

O ser que chega a uma concepção elevada dessa lei, e de suas aplicações, deve auxiliar todos aqueles que, abaixo dele, transpõem a grandiosa escala das ascensões.

Por seu lado, os seres inferiores devem trabalhar a fim de assegurar a vida material e em seguida tornar possível a liberdade de espírito necessária aos pensadores e aos pesquisadores. Assim afirma-se a imensa solidariedade dos seres, unidos em uma ação comum.

Toda ascensão da vida à perfeição eterna, todo esplendor das leis universais, resumem-se em três palavras: Beleza, sabedoria e Amor!

(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)

Comentario:
Por Sika - 8:54 PM
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Terça-feira, Agosto 07, 2007





Fundamentos da Arte

Léon Denis



A beleza é um dos atributos divinos. Deus colocou nos seres e nas coisas esse misterioso encanto que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração.
A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna, da qual aqui na Terra não percebemos senão um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte da qual ela emana, e esta é uma tarefa difícil para a maioria de nós. Ao menos podemos conhecê-la através do espetáculo que o universo oferece aos nossos sentidos, e também através das obras que ela inspira aos homens de talento.
O espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores de harmonia e de beleza que regem o universo, vêm oferecer a nossos pensadores, a nossos artistas, inesgotáveis temas de inspiração.
A observação dos fenômenos de aparição proporciona a nossos pintores imagens da vida fluídica, das quais James Tissot já pôde tirar proveito nas ilustrações de sua Vie de Jésus (Vida de Jesus). Oradores, escritores, poetas, encontrarão nesses fenômenos uma fonte fecunda de idéias e de sentimentos. O conhecimento das vidas sucessivas do ser, sua ascensão dolorosa através dos séculos, o ensinamento dos espíritos a respeito dessa grandiosa questão do destino, lançarão, em toda a história, uma inesperada luz, e fornecerão ainda aos romancistas, aos poetas, temas de drama, móbeis de elevação, todo um conjunto de recursos intelectuais que ultrapassarão em riqueza tudo o que o pensamento já pôde conhecer até o momento.
Quando refletimos a respeito de tudo o que o espiritismo traz à humanidade, quando meditamos nos tesouros de consolação e de esperança, na mina inesgotável de arte e de beleza que ele lhe vem oferecer, sentimo-nos cheios de piedade pelos homens ignorantes e pérfidos cujas malévolas críticas não tem outra finalidade senão tirar o crédito, ridicularizar e até mesmo sufocar a idéia nascente cujos benefícios já são tão sensíveis. Evidentemente essa idéia, em sua aplicação, necessita de um exame, de um controle rigoroso, mas a beleza que dela se desprende revela-se deslumbrante a todo pesquisador imparcial, a todo observador atento.
O materialismo, com sua insensibilidade, havia esterilizado a arte. Esta arrastava-se na estreiteza do realismo sem poder elevar-se ao máximo da beleza ideal. O espiritismo vem dar-lhe novo curso, um impulso mais vivo em direção às alturas, onde ela encontra a fonte fecunda das inspirações e a sublimidade do gênio.


(Léon Denis - O Espiritismo na Arte)



Comentario:
Por Sika - 5:49 PM
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Retirado do http://www.feal.com.br Federação Espírita Andre Luiz


Rir Hoje , rir sempre ...
21/09/2005






Rir é terapia.! Isto é fato e notório para todos. Não precisa ser médico ou terapeuta para saber. Quem é humano sente e, portanto, sabe. Não é por acaso que o riso é uma das primeiras coisas que aprendemos, e somos estimulados a fazer, quando bebê . Desenvolve a musculatura facial, oxigena o cérebro, estimula a produção de endorfinas, acelera o coração,exercita os pulmões, libera o stress, desbloqueia o psíquico, contagia felicidade .... Quem não se encanta com o riso meigo de uma criança? Quem não se comove com o riso lento de uma pessoa idosa? Rir é bom, e é para todas as idades ....
O riso contagia ... pois, só de vermos uma pessoa rindo, automaticamente, e sem saber por que, liberamos o nosso sorriso e procuramos logo nos inteirarmos do motivo para também cairmos na gargalhada ...
È claro, que as vezes atrapalha, quando dos acessos de riso em lugares inapropriados para tal . Quem não passou por isso????? É melhor nem lembrar, pois senão a vontade de rir volta ......
Apesar de todos esses benefícios, cada vez vemos as pessoas rirem menos .... E, certamente, este é um dos paradoxos da vida moderna. Sofisticarmos a nossa vida com tecnologias que facilitam mais a nossa estadia na Terra, e rirmos cada vez menos de felicidade .
Esta semana, ao passar por uma banca de jornal, tive a minha atenção desviada para um DVD do Gordo e o Magro ( célebre dubla cômica de filmes e seriados dos anos 60 ) . Adquiri, baratinho, e munido de uma nostalgia, fui assistir.
Meu Deus .... como dei risadas ....
Surpreendi-me, pois há muito não me divertia tanto. Foi então que analisando as situações vividas pelos personagens, verifiquei, que, apenas, retratavam o dia-dia das pessoas dos anos 60. Sem nenhuma apelação, e apenas com um pouco de exagero. Tudo bem simples, sem sofisticação .
Acho que este é o “segredo” (que todos nós já sabemos) .... achar graça nas coisas simples da vida. Nos acontecimentos banais, nas situações embaraçosas que vivemos e, muitas vezes, cômicas que passam desapercebidas ...
Mas, os problemas do cotidiano, nos roubam o bom humor, e nos faz acreditar que vivemos em um mundo sem graça ....
Não se trata aqui de esquecer a seriedade, mas guardá-la para os momentos apropriados e necessários.
Rir é um grande remédio ..... disse Pach Adans em sua palestra recentemente proferida em São Paulo. Rir alivia a dor, diz os Doutores da Alegria, grupo Brasileiro, fundado por Wellington Nogueira, inspirado no Clowns Care Unit, grupo Americano especialmente treinado para levar alegria para crianças internadas e que revolucionaram os ambientes sombrios dos hospitais, levando muito riso terapêutico, em locais característicos de dor e sofrimento. Rir é vida, disse o saudoso palhaço, Arrelia .
Isto também se aplica aos Centros Espíritas, onde muitas vezes a cara carrancuda toma conta. Quem não se sente agradável com as palestras animadas do Divaldo? E com o bom humor permanente do Medrado? E o que dizer do humor sutil do Peixinho?

Rir e aprender é muito mais agradável. É evidente que são técnicas de abordagens de determinados assuntos, tornando-os leves e assimiláveis para nós. Isto se chama didática. O importante é percebermos que é muito mais fácil enfrentarmos a vida, os problemas, seja ela material, como espiritual, munidos de uma certa dose de bom humor, e que seremos muito mais agradáveis, principalmente se possuirmos estampado no nosso rosto, o sorriso branco de alegria, pois o amarelo de fingimento não adianta .
Rir é bom, pode ser até essencial, mas é preciso que seja do coração, com amor, representando não só bom o humor, mas a felicidade, mesmo que relativa, mas compreensiva, das nossas verdadeiras necessidades e limitações...
Ria hoje um pouco se puder... Procure os motivos na sua vida, em você mesmo ...


Primavera de 2005
João C. Bacurau




Comentario:
Por Sika - 3:15 PM
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MÚSICA PARA EVANGELIZAÇÃO








A música é ferramenta importante no processo de ensinar e aprender,
resultando numa troca construtiva de elevação do pensamento


*Flávio Fonseca*



Tomando o termo "evangelizar" no sentido de ensinar o Evangelho e orientar
alguém para que viva de acordo com os ensinamentos contidos na Boa Nova,
compreendemos logo que a música para a evangelização terá um caráter
predominantemente instrutivo. Pode ser dirigida às crianças, aos jovens ou
aos adultos, pois não há quem não precise se aprofundar no estudo dos
ensinamentos de Jesus. Qualquer música, portanto, que atenda a estes
objetivos, seja feita por compositor espírita ou não, pode ser usada.


Inserida nesta classe, a música que mais facilmente encontraremos é a música
infantil. O próprio termo "evangelização" nos conduz de imediato à lembrança
das "aulinhas" cheias de ruidosa alegria, dos "tios" preparando cartazes e
brincadeiras, das carinhas risonhas e interessadas nas historinhas ou
cantando. É mesmo difícil imaginar um trabalho de evangelização infantil sem
música.


E que tipo de música é o mais adequado para este fim? Naturalmente canções
simples, de fácil assimilação, que sejam também fáceis de tocar, para que
tanto evangelizadores quando evangelizandos possam aprendê-las rapidamente.
As letras devem ser bem claras e diretas, utilizando a própria linguagem das
crianças, para que, acima de tudo, os conceitos fiquem gravados nas mentes
infantis. naturalmente, é fundamental que a criança goste da música, para
que ela aproveite o ensinamento ali contido.


É comum a utilização de gestos para acompanhamento das canções, o que torna
o ato de cantar mais divertido e facilita ainda mais a fixação do conteúdo.


Embora o aspecto instrutivo seja o mais importante e característico da
música para evangelização, muitas vezes a música pode ser usada com a
finalidade de simples recreação, como parte de um procedimento pedagógico
adequado à faixa etária. Porém, sempre que possível, é desejável o conteúdo
evangélico e doutrinário, mesmo nos momentos de recreação.


Muitas vezes, tais músicas são compostas ou até improvisadas pelos próprios
evangelizadores. Outras vão passando de "boca em boca", migrando de região a
região como elementos de uma cultura musical espírita que já se torna
tradicional, embora ainda não percebida por muitos. E não poucas vezes são
músicas emprestadas do próprio folclore popular ou de outros meios de
produção musical infantil, como discos e fitas comerciais, desde que tenham
conteúdo condizente com a doutrina.


Não podemos deixar de mencionar o trabalho de alguns confrades que há
décadas se dedicam à música espírita, especializando-se em música para
evangelização infantil. Alguns destes trabalhos foram gravados e podem ser
encontrados nas boas distribuídoras.


Mas a música cantada em reuniões de mocidades espíritas, desde que com
caráter instrutivo, também é música para evangelização. Certamente,
utilizará outra linguagem própria à idade, tanto nas letras quanto no gênero
da música. Geralmente são canções mais animadas, também relativamente fáceis
de tocar, porém com uma maior liberdade poética. feitas quase sempre pelos
próprios jovens e divulgadas nos encontros regionais e nacionais de
juventudes espíritas, muitas vezes percorrem o Brasil. Freqüentemente são
também utilizadas para ambientação e/ou animação, mas carregam em si
principalmente a vontade que o jovem tem de levar adiante os frutos de seu
aprendizado na escola do Evangelho.


Também aqui é comum ouvirmos músicas do repertório popular, canções que
tocam no rádio, etc., mas que têm mensagens profundas e adequadas aos fins
espíritas. Neste ponto, é aconselhável que alguém com mais experiência faça
uma triagem, uma seleção de repertório, aplicando o bom senso recomendado
por Kardec. E que aproveite a oportunidade para esclarecer os jovens quanto
ao cuidado que se deve ter para que não se adote a falsa idéia de que
qualquer música bonita e que diga algo de bom pode ser indiscriminadamente
usada em meio espírita. Aqui vale o critério semelhante ao aplicado na
análise de mensagens psicografadas: o crivo da razão, baseado em profundo
conhecimento.


De todos os tipos de música espírita, a música para a juventude com certeza
é a mais divulgadas através de gravações. Há grupos em todo o Brasil
produzindo Cds e k7s que atestam a qualidade da música para evangelização
juvenil.


Não podemos nos esquecer dos adultos, afinal, também em reuniões públicas e
noutras onde o aprendizado é o foco central, a música toma parte e muito
colabora para a fixação de conceitos evangélicos e doutrinários.


Em qualquer faixa etária, a letra é um elemento quase sempre presente na
composição, pois é principalmente através dela que se colhe o ensinamento.
No entando, isto não impede que, eventualmente, músicas instrumentais sejam
usadas, como quando se prestam ao exercício da concentração, do relaamento e
da tranqüilização do pensamento.
segue alguns links com músicas....



http://www.fazendobem.com.br/
http://www.cancioneiro.com.br/
http://www.toquenaalma.com.br/n.htm




Comentario:
Por Sika - 12:12 AM
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Sexta-feira, Agosto 03, 2007


A harmonia
Léon Denis







“Hoje falaremos não do instrumento extraterrestre, como dizíamos, mas da maneira como o espírito desencarnado pode afastar-se da Terra e penetrar em esferas etéreas onde as harmonias do espaço se tornarão mais suscetíveis para ele. Tomemos, por exemplo, um ser desencarnado de educação espiritual média resultante de seus trabalhos anteriores e de seu grau de fé.
“No início de sua vida no espaço o ser desencarnado deverá se familiarizar com seu novo estado, e chegará a despertar em si a recordação das harmonias que percebeu em suas existências anteriores. Ele experimentará o desejo de se envolver de novo nesses fluidos harmoniosos; porém, do ponto de vista latente, ele não pode saber de imediato quais são os meios para chegar à esfera para onde seu espírito aspira subir. Seus guias, mais elevados do que ele o “intuirão” e farão seu perispírito vibrar de maneira gradual a fim de que ele não se perturbe.
“Assim se estabelecerá o que chamamos de acorde, e qualquer dissonância desaparecerá entre ele e a esfera musical onde quer penetrar. Quando na Terra vocês ouvem um instrumento imperfeito, se ele não está afinado, seus pobres órgãos ficam aturdidos; o mesmo ocorre na vida do além. Os guias impressionam o perispírito do desencarnado a fim de que ele obtenha uma adaptação mais completa.
“Eis então nosso sujet preparado para receber ondas musicais.
À medida que suas próprias radiações melhor se ligam aos feixes harmônicos do espaço, seu desejo de elevar-se ainda mais alto, em direção à fonte de beleza eterna, aumenta. Desembaraçado de qualquer influência grosseira, ele vai subir com seus guias às regiões superiores, celebrando com estes a glória do alto.
“Os fluidos materiais volatilizam-se, o perispírito torna-se mais luminoso, as radiações mais intensas, mais sutis, e sua evolução é facilitada. O espírito subirá como os balões sobem em nosso globo.
“Penetrando nas altas regiões do espaço, o ser espiritual experimenta primeiramente uma sensação de serenidade, uma espécie de dilatação, de deleite; em seguida as emanações fluídicas que se desprendem do perispírito entram em contato com outros feixes de emanações, e daí ocorre uma espécie de ajuste fluídico entre dois feixes de sutileza, mais ou menos igual, porém de natureza diversa. Vocês não podem imaginar a impressão experimentada pelo ser fluídico: não se trata mais de sensações de bem-estar, de contentamento, mas de uma espécie de acalanto, de ondulação, acompanhados de uma sensação especial que determina um estado emotivo, uma espécie de êxtase. As vibrações sentidas nesse estado formam o que vocês chamam de tonalidades; elas são produzidas por atritos de camada fluídica entre si.
“Mais acima dessas esferas harmônicas, há outras regiões que não podemos ainda alcançar e onde residem seres superiores, criadores de uma música sublime que para nós é transmitida por especiais correntes fluídicas. Não percebemos os seres que a produzem, entretanto ela chega até nós através de correntes condutoras de natureza sutil. Um guia me diz que os seres que produzem as ondas dessa música celeste são quase perfeitos e possuem uma parcela do gênio divino.”


Massenet
(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)


Comentario:
Por Sika - 12:03 PM
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A Música
Léon Denis






A música é a voz dos céus profundos. Tudo no espaço traduz-se em vibrações harmônicas, e certas categorias de espíritos não se comunicam entre si senão através de ondas sonoras.

A sinfonia e a melodia não são na Terra senão ecos enfraquecidos e deformados dos concertos celestes. Nossos mais perfeitos instrumentos possuem sempre alguma coisa de mecânico e de duro, enquanto que os processos de emissão do espaço produzem sons de infinita delicadeza.

É por isso que em todos os graus da escala dos mundos e da hierarquia dos espíritos a música ocupa lugar considerável nas manifestações do culto que as almas prestam a Deus. Nas esferas superiores, ela se torna uma das formas habituais da vida do ser, que se sente mergulhado nas ondas de harmonia de intensidade e suavidade inexprimíveis.

Quando das grandes festas no espaço, dizem-nos nossos guias espirituais, quando as almas se unem aos milhões para prestarem homenagem ao Criador, na irradiação de sua fé e de seu amor, delas escapam eflúvios, radiações luminosas que se colorem de várias tonalidades e se transformam em vibrações melodiosas. As cores transformam-se em sons, e dessa comunhão dos fluidos, dos pensamentos e dos sentimentos desprende-se uma sinfonia sublime, à qual respondem os longínquos acordes vindos das esferas, dos inúmeros astros que povoam a imensidão.

Então, do alto descem outros acordes, ainda mais possantes, e um hino universal faz estremecerem céus e terras. À percepção desses acordes o espírito se dilata e se regozija; ele se sente viver na comunhão divina e entra num encantamento que chega ao êxtase.


(Capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)


Comentario:
Por Sika - 11:35 AM
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As notas musicais
Léon Denis







“Falaremos hoje sobre a sonoridade, não sobre a sonoridade pura, uma vez que não possuímos ouvidos para ela. O som é resultante de uma vibração que impressiona nossos órgãos físicos e produz, em conseqüência, um fenômeno virtual.
“É preciso partir do seguinte princípio: no espaço o som não é mais a sensação de um ruído, mas a sensação que acarreta uma satisfação de bem-estar moral e espiritual. O júbilo é mais ou menos intenso e corresponde às sensações que os instrumentos da Terra produzem sobre nós.
“Vimos o ser imaterial transportado à esfera musical, isto é, ao campo vibratório animado por seres angélicos; vimos também que esse ser recebe em seu perispírito vibrações que, chocando-se com seus próprios eflúvios, produzem sensações de júbilo.
“Na música humana vocês têm como nota de diapasão o lá: não tomaremos essa nota como ponto de partida, pois sua tonalidade não corresponde à tonalidade das cores. Tomaremos o dó. O dó, para os ouvidos humanos, produza um som grave, pleno, e que exprime o júbilo, um som que descreve bem o amor que devemos sentir por Deus. Esse dó, fazendo -se uma comparação, adapta-se melhor à primeira das sensações fluídicas, que se traduz geralmente pela cor azul.
“O dó simboliza o azul-celeste, a quietude, a paz da alma, surgida através da prece. O dó é a primeira nota do acorde perfeito que deriva do azul.
“O mi representa a força no amor, o desejo de amar, e pode ser representado por uma emanação da luz solar. Temos, portanto: dó, mi.
O dó fundamental é o azul; o mi, desejo no amor, dará azul-celeste e ouro.
“O sol, terceira nota harmônica, representa a consolidação das duas notas precedentes, isto é, uma ligação que pontua as duas idéias precedentes emitidas, pontuação que assegura a exteriorização do sentimento dado pelo azul.
“Percebemos essa nota através de uma tonalidade especial, cuja cor procuro tornar compreensível aos sentidos humanos. Não se trata nem de uma emanação prateada, que poderia confundir-se com o ouro, ser por este absorvida, nem de uma emanação preta, resultante das outras cores, que poderia absorver o azul. Mas é um fluido brilhante, sem cor muito definida, que pode aproximar-se da luz radiante que se desprende dos mundos por vocês percebidos, isto é, cinza-azulado, cinza-prateado. O sol, visto de longe, possui esse aspecto.
“A primeira tonalidade, vista por um mortal, terá esse aspecto: tônica azul. Intensidade da tônica, ouro. Pontuação ou duração: cinza prateado, mistura de azul com um pouco de ouro e de cinza-prateado.
“Essa primeira tonalidade representa o amor divino.
“As outras cores fundamentais apresentam todos os outros sentimentos, indo do amarelo-claro ao amarelo-escuro; porém essas cores são sempre acompanhadas por seus mantos dourados e suas vestes cinza-prateadas.
“Em música humana, acorde perfeito: dó, mi, sol. Tomando-se o ré, acorde perfeito: ré, fá, lá; com o mi, acorde perfeito: mi, sol, si.
A tônica variará de cor passando do azul até chegar ao vermelho, porém as duas outras notas serão sempre ouro e prata; elas nunca variarão.
“Conforme a qualidade do perispírito e a natureza do campo vibratório, as sensações variam e aumentam de intensidade a ponto de se tornarem maravilhosas. Certos perispíritos recebem o amarelo, outros, o vermelho. Há alguns que excluem essa última cor.
“O violeta é menos suportável para os seres evoluídos. O verde claro é mais agradável do que o escuro. Pode-se, de acordo com as leis do espaço, perceber uma mistura de azul e de rosa.
“Os campos vibratórios variam igualmente de intensidade. Eles resultam de emanações angélicas, inspiradas pelo ser divino. Quando retornamos à Terra, estamos ainda impregnados dessas vibrações; o corpo material as apaga, porém a consciência guarda sua impressão.
“Além desses campos vibratórios existem esferas, e até mesmo correntes, que dão aos espíritos menos evoluídos alegrias harmônicas às vezes vivas e profundas, apesar de mais pessoais. Essas correntes fluídicas comunicam ao ser as alegrias íntimas do amor divino. Outras correntes lhe dão apenas a alegria de ouvir os acordes da lira celeste.
Essas vibrações, não coloridas e invisíveis para o ser desencarnado, dão-lhe uma satisfação comparável à produzida pela sensação dos perfumes.
“A música celeste é, portanto, resultante de impressões causadas pelas camadas fluídicas segundo a elevação do ser e a pureza do meio.
“No espaço não se ouve nada; sente-se a harmonia dos fluidos e não a dos sons. A propriedade essencial dos fluidos é a cor. O som é de essência terrestre, a cor é de essência celeste. A próxima lição tratará dos encantos harmônicos do espaço e de sua persistência nos sentimentos humanos.”
Massenet


Comentários


A solidariedade dos sons e das cores, da qual o espírito Massenet nos fala, foi pressentida por todos os grandes músicos.
Um deles disse: "A melodia é para a luz o que a harmonia é para as cores do prisma, isto é, uma mesma coisa sob dois aspectos diferentes: melódico e harmônico." Platão nos diz: "A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna." Observemos de passagem que Massenet é antes melodista do que sinfonista.
Para formar a luz branca é preciso o acorde das cores complementares, e essa luz torna-se mais viva e radiante quanto melhor a melodia resuma e sintetize o acorde das harmonias complementares.
Parece, portanto, que há perfeita concordância entre as concepções dos gênios terrestres e o ensinamento das entidades do além, e isto reconhecendo-se que estas nos fornecem detalhes, observações ignoradas pelos especialistas de nosso mundo.
Em termos de relação, a melodia está para a harmonia como o pensamento está para o gesto. Poder-se-ia dizer, também, que em música a melodia representa a síntese e a harmonia a análise. Elas se penetram portanto uma na outra e mais valem quanto mais se combinem e se fundam mais completamente.
Na Terra a beleza de uma obra musical resulta ao mesmo tempo da concepção e da execução, porém na vida do além o pensamento iniciador e a execução se confundem, pois o pensamento comunica às vibrações fluídicas as qualidades que lhe são próprias. A obra é mais bela e a impressão que ela produz mais viva quanto mais elevada for a intenção. É isto o que dá à prece ardente, ao grito da alma a seu criador, propriedades harmônicas.
Quanto mais nos elevamos na escala das relações, mais a unidade aparece em sua sublime grandeza.
A lei das notações musicais regula todas as coisas, e seu ritmo acalanta a vida universal. É uma espécie de geometria resplandecente e divina. O alfabeto humano, como um balbucio, é uma de suas formas mais rudimentares. Porém suas manifestações tornam-se cada vez mais amplas e importantes, em todos os graus da escala harmônica.
O espírito humano não pode se elevar até as supremas alturas da arte cuja fonte é Deus, mas ele pode, ao menos, elevar a elas suas aspirações.
As concordâncias estéticas se sobrepõem ao infinito. Mas o pensamento humano entrevê apenas alguns aspectos da lei universal de harmonia nas horas de êxtase e de grande alegria. A regra musical se produz no espaço através de raios de luz; o pensamento, a expressão do gênio divino e os astros em seus cursos, aí conformam suas vibrações.
Se o espírito humano, em seus impulsos, eleva-se um instante a essas alturas, recai impotente para descrever suas belezas; as impressões que ele experimenta não se podem traduzir senão através de muda adoração.
O próprio espírito Massenet declara-se insuficientemente evoluído para manter-se nessas esferas superiores.
Uma vez mais encontramo-nos, aqui, na impossibilidade de exprimir, na linguagem humana, idéias sobre-humanas. Apesar do que se possa dizer, permanece-se sempre aquém da verdade. O infinito das idéias, dos quadros, das imagens, é como um desafio aos limitados recursos do vocabulário terrestre. Com efeito, como encerrar em palavras, como resumir em palavras todo o esplendor das obras que se desenvolvem nas profundezas dos céus estrelados?


(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)


Comentario:
Por Sika - 11:35 AM
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A arte e o amor no universo da mediunidade
Wilson Francisco





O exercício da mediunidade pode ser transformado numa investigação - numa busca da verdade, revelando e disponibilizando um outro mundo - novas e diferentes energias.
É instigante e até excitante estar em contato com este outro mundo, desconhecido, impalpável e impermeável às ações físicas dos seres humanos desprovidos deste dom da intermediação.
O médium é um ser cuja constituição psíquica é permissiva aos fenômenos psíquicos. O seu histórico pré-encarnatório e atual é composto de episódios psíquicos prenunciadores e predisponentes à mediunidade.
Em virtude do mundo sobrenatural ser inacessível ao homem comum, o médium aparenta ser um ente meio divinizado, um universo fenomenológico que atrai ou estimula o sonho, podendo tornar-se, então, um mito.
Por outro lado, o médium é um astro, pois interpreta este outro mundo. É portador de uma especialidade psíquica - de uma genialidade incomuns.
E estas ocorrências podem fragilizar a sua estrutura, enquanto homem ou mulher, com vida e compromissos sociais como qualquer mortal.
É fascinante o instante da ação mediúnica no Centro Espírita. Todos envolvidos num clima de mistério ante o "contato" que está por acontecer. É um momento solene. A hora de se despojar e de se expor. Deixando de ser e ter para que alguém, o Espírito comunicante, possa ser e possa ter.
Caso lhe seja difícil compartilhar seu universo - suas idéias e sentimentos, se transfigura o fato mediúnico numa ocupação indevida de espaço.
Há, ainda, as idéias dos companheiros de equipe, o "jeito" do dirigente, que vai conduzir aquele encontro, que vai estabelecer as regras do jogo que se vai jogar.
O espírito comunicante representa o outro lado da história, com suas emoções e buscas. As vezes, nem ele sabe de onde vem e porque vem. É um ilustre desconhecido ou sente que é a “ovelha desgarrada” que tentam recolher ao aprisco. Resiste às mãos estendidas em certas ocasiões e noutras, rende-se e desaba a procura do "colo" confortável que lhe dê lenitivo às dores.
O médium, instrumento principal dessa fenomenologia, nem sempre é uma pessoa especial, dotada de sabedoria e virtudes. Envolvido nesse processo que atrai por conquista ou necessidade, ele passa por uma catarse, sabatinado pelas informações e lições que veicula, transmitidas pelo mundo dos "mortos".
Se o processo se encerra aí, na fenomenologia, o médium terá reduzidas chances de modificar sua história. Será portador de mensagens qualificadoras, proporcionará o resgate de almas e homens, mas ele próprio ficará intacto - imexível.
Agora, se ele incorporar não só o Espírito, mas também todo universo de informações - lições e ações daquele fato e daquele ser, então poderá entrar na "roda das transformações", migrando da condição de mero interprete e instrumento, para o estágio de agente do Bem, que é o objetivo fundamental da mediunidade em nossas vidas.
Eu disse, atras sobre o fato de que o médium, ante o Espírito comunicante, no ato mediúnico, precisa se expor - despojar-se, deixando de ser e ter.
Sabe-se, a qualidade fluídica e a clareza informativa, tanto quanto a profundidade formativa dependem do despojamento. O médium entrega, abre espaço, cede seu universo energético, emocional, espiritual e físico, para que outro ser ocupe seu lugar.
Se ele não deixa de ser e de ter, se age sem resignação e humildade, o intercâmbio sofrerá limitações. O espírito comunicante será oprimido, reduzindo e desqualificando este majestoso acontecimento.
E convenhamos, uma pessoa que na vida diária não é solidária e nem tem disponibilidade para servir, quando envolvida numa situação de tamanha perplexidade e sutileza, fatalmente desabará, pesadamente, na sua própria fragilidade.
E, por fim, podemos destacar como oportuno, que o médium e todos que se envolvem na mediunidade, poderiam examinar melhor cada detalhe, na performance do médium, o que ele sente e vê e as sensações decorrentes do contato com este outro mundo, para extrair daí aprendizado para suas vidas.
Na verdade, a beleza da mediunidade está nos resultados e efeitos na vida do ser humano. Sem isso, será simples fenomenologia, que deslumbra os olhos mas não toca o coração.


e-mail: arteviversemmedo@bol.com.br



Comentario:
Por Sika - 11:31 AM
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